Moody’s mantém classificação do Brasil em Ba1 e aponta controle de gastos como chave para avanço rumo ao grau de investimento.
A agência de classificação de risco Moody’s informou que concluiu uma revisão periódica e manteve o rating soberano do Brasil em Ba1, com perspectiva “estável”. Esta decisão coloca o país um degrau abaixo do cobiçado grau de investimento, um selo de bom pagador que atrai investidores.
A análise, finalizada em 20 de outubro, reafirma a nota atribuída em maio deste ano, quando a Moody’s já havia ajustado a perspectiva de “positiva” para “estável”. A economia brasileira demonstrou resiliência diante de tensões comerciais globais, mas a alta inflação e as taxas de juros continuam sendo entraves significativos.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, acumula alta de 4,68% nos 12 meses encerrados em outubro. Paralelamente, a taxa básica de juros, a Selic, encontra-se em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas, impactando o poder de compra e o custo do crédito.
Resiliência econômica diante de choques externos
A Moody’s destacou em seu relatório que a economia brasileira tem se mostrado robusta diante das incertezas geradas pelas políticas tarifárias internacionais, especialmente após ajustes parciais em tarifas impostas pelos Estados Unidos. O país se beneficia de uma economia ampla e diversificada, com limitada exposição a choques externos.
No entanto, a agência ressaltou que o perfil de crédito do Brasil enfrenta limitações impostas por altos pagamentos de juros, rigidez nos gastos públicos e um aumento na dívida. Estes fatores criam um cenário de atenção para a sustentabilidade fiscal a longo prazo.
Reformas estruturais e polarização política como fatores decisivos
Apesar de reformas estruturais adotadas por governos anteriores terem impulsionado investimentos e melhorado as perspectivas de crescimento, a Moody’s aponta a polarização política como um obstáculo para avanços mais profundos na reforma fiscal e na consolidação das contas públicas. A falta de consenso entre formuladores de políticas e o Congresso dificulta a implementação de medidas necessárias.
Para que a classificação soberana do Brasil seja elevada, a agência sugere que haja um consenso político para a aprovação de reformas que controlem os gastos. Medidas que reduzam a vinculação de receitas, flexibilizem o Orçamento e diminuam a indexação de benefícios sociais ao salário mínimo são vistas como cruciais.
O caminho para o Grau de Investimento: reformas e estabilidade fiscal
A Moody’s indicou que reformas nos benefícios da Previdência Social, por exemplo, poderiam criar espaço fiscal e melhorar o perfil de crédito do país. Além disso, o aprimoramento do arcabouço de política monetária, visando uma transmissão mais eficaz, também contribuiria para reduzir a vulnerabilidade fiscal a ciclos de aperto monetário.
O Brasil se encontra atualmente no chamado “grau especulativo”, um estágio que indica que, embora menos vulnerável a riscos de curto prazo, o país ainda enfrenta incertezas em relação a condições financeiras e econômicas adversas. A perda do “selo de bom pagador” em 2015 e 2016, após um período de grau de investimento entre 2008 e 2015, demonstra a importância da estabilidade e da execução de políticas fiscais consistentes para a atração de capital estrangeiro e a melhoria da liquidez.