Nikolas Ferreira critica prazo de 24 horas para explicações sobre uso de celular em visita a Bolsonaro, chamando de “teatro”.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu com veemência ao prazo de 24 horas estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que a defesa de Jair Bolsonaro explique o uso de seu celular durante uma visita ao ex-presidente. Ferreira classificou a medida como um ato de “teatro para intimidar”, em contraste com a suposta inércia da Corte em relação a criminosos que utilizam celulares em presídios.
Em sua conta na rede social X, Nikolas Ferreira expressou sua indignação, comparando a situação com a de detentos que comandam facções criminosas de dentro de penitenciárias sem receber intimações do Supremo. A declaração surge após a notícia de que o aparelho celular do deputado foi utilizado durante a visita a Bolsonaro, um dia antes da decretação de prisão preventiva do ex-presidente.
A solicitação de explicações por parte de Alexandre de Moraes atende a uma notícia-crime apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Hilton pediu a apreensão do celular de Nikolas Ferreira para investigar supostas incitações a um plano de fuga, que teria sido o motivo para a prisão de Bolsonaro pelo STF. As imagens que embasaram a denúncia foram capturadas por uma reportagem de TV.
A visita de Nikolas Ferreira a Jair Bolsonaro ocorreu na última sexta-feira (21). A situação ganhou destaque após a informação de que o ex-presidente foi visto conversando com o deputado enquanto este utilizava o aparelho celular, apesar de uma proibição judicial expressa para tal conduta. A visita antecedeu eventos importantes, como a convocação de uma vigília pelo senador Flávio Bolsonaro e o dano à tornozeleira eletrônica do ex-presidente.
Contraste entre a exigência e a atuação em casos de presídios
O deputado Nikolas Ferreira argumentou que criminosos utilizam celulares na cadeia para gerenciar organizações criminosas inteiras, mas, segundo ele, “ninguém da Suprema Corte dá 24h para explicar nada”. Essa comparação visa evidenciar uma suposta disparidade de tratamento, onde, em sua visão, o foco recai sobre ações de parlamentares em visitas a ex-presidentes, enquanto atividades criminosas dentro de presídios parecem ter menor urgência ou atenção por parte do judiciário.
Notícia-crime e pedido de apreensão do celular
A deputada Erika Hilton foi a responsável por apresentar a notícia-crime contra Nikolas Ferreira ao STF. Ela solicitou a apreensão do aparelho celular do deputado para que fosse realizada uma perícia detalhada. O objetivo é apurar se houve incitação a um plano de fuga, que serviu como justificativa para a prisão preventiva de Jair Bolsonaro.
Proibição judicial e o uso do celular durante a visita
O ministro Alexandre de Moraes estabeleceu o prazo de 24 horas para a defesa de Bolsonaro apresentar os esclarecimentos necessários. A justificativa para a exigência é o fato de o deputado Nikolas Ferreira ter utilizado seu celular durante a visita, contrariando uma determinação judicial que proibia estritamente o uso de aparelhos de comunicação. A situação foi registrada em vídeo e divulgada pela imprensa.