Crescimento apoiado por expansão das exportações, superávit de US$ 1,2 trilhão e recuperação industrial, compensando consumo fraco e queda no investimento imobiliário
A economia chinesa registrou avanço de curto prazo, chegando a um crescimento anual de 5% em 2025, meta estabelecida pelo governo, com as fábricas buscando mercados externos para driblar a fraqueza do consumo interno.
O movimento foi puxado por um salto nas vendas ao exterior, que gerou um superávit comercial recorde, ao mesmo tempo em que setores como o imobiliário e o consumo mostraram sinais persistentes de fragilidade.
Os dados oficiais e análises da imprensa internacional mostram que a estratégia de priorizar a produção e as exportações sobre estímulos ao consumo interno foi determinante para alcançar a meta, conforme informação divulgada pelo NBS, Reuters e Estadão Conteúdo.
Exportações e superávit recorde impulsionam o PIB da China
As exportações foram o motor do crescimento, elevando a balança comercial a um superávit recorde de US$ 1,2 trilhão, resultado 20% maior do que em 2024. Esse superávit, segundo os dados oficiais, equivale ao tamanho de uma das 20 maiores economias globais, como a Arábia Saudita.
Embora os embarques para os Estados Unidos tenham caído, em torno de um quinto, as exportações para outros mercados cresceram, permitindo que produtores chineses conquistassem novos compradores no exterior e mitigassem o impacto das tarifas impostas pelos EUA.
Setor industrial cresce, consumo e imóveis recuam
O desempenho industrial também ajudou a sustentar o resultado, com a produção aumentando 5,9% em 2025. Em contraste, as vendas no varejo cresceram apenas 3,7%, mostrando a dificuldade do consumo doméstico em recuperar ritmo.
O setor imobiliário teve uma queda acentuada, com investimento imobiliário caindo 17,2%, enquanto o investimento em ativos fixos encolheu 3,8%, a primeira queda anual desde 1996. O investimento privado recuou 6,4%, refletindo pressão sobre governos locais para reduzir dívida em vez de impulsionar obras públicas.
Ritmo trimestral e avaliação oficial
No quarto trimestre de 2025 a economia chinesa cresceu 4,5% em relação ao ano anterior, acima das expectativas, mas abaixo do ritmo de 4,8% registrado no terceiro trimestre, indicando uma desaceleração ao longo do ano.
O chefe do Escritório Nacional de Estatísticas, Kang Yi, comentou que o desenvolvimento econômico de 2025 foi “duramente conquistado“, reconhecimento oficial dos problemas e dos desafios, entre eles a forte oferta e a demanda fraca.
Riscos e perspectivas para manter o crescimento
Analistas alertam que depender de exportações e capacidade industrial excedente pode não ser sustentável a longo prazo, especialmente se o consumo interno continuar fraco e a crise imobiliária persistir.
Pequim enfrenta o desafio de equilibrar políticas para sustentar empregos e produção, ao mesmo tempo em que precisa lidar com endividamento local e estimular a demanda doméstica para reduzir a vulnerabilidade externa.
No curto prazo, o PIB da China de 2025 mostra uma recuperação orientada pelas vendas ao exterior e pela indústria, mas as fragilidades internas mantêm incertezas sobre a capacidade de repetir esse desempenho nos próximos anos.