Dirigentes do PL e do União Brasil planejam segurar a pauta e evitar que o fim da escala 6×1 vá ao plenário antes das eleições, por receio de derrota e impacto eleitoral
Líderes do PL e do União Brasil anunciaram que vão orientar suas bancadas a tentar impedir a votação do fim da escala 6×1 no plenário antes do calendário eleitoral, por temerem que a proposta seja usada como medida eleitoreira e resulte em derrota para quem resistir.
O movimento foi relatado em jantar com empresários promovido pela Esfera Brasil em São Paulo, onde dirigentes partidários receberam apoio de representantes do varejo e de grandes empresas, preocupados com custos e efeitos sobre a produção.
Partidos e empresários avaliam que, se o tema for pautado, a tendência de aprovação é alta, o que motivou a estratégia de obstrução ainda na fase de comissões, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Estratégia e declarações dos presidentes
Conforme o relato, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, afirmou ter uma “posição pessoal” contrária à medida, sob o argumento de que ela “vai onerar o setor produtivo e gerar inflação”, mas admitiu o custo político de negar a pauta.
Rueda disse também, citando o risco de aprovação, “A gente tem que ter inteligência e segurar que essa votação vá para o plenário, porque se ela for a plenário, [a aprovação] vai ser avassaladora”, e sugeriu uma “barrigada” na Comissão de Constituição e Justiça para travar o avanço.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reforçou a avaliação de que é difícil para quem votar contra, e afirmou, “Se o camarada votar contra é muito difícil para ele. […] Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum, pedir a pressão dos empresários em cima de seus deputados, para a gente segurar isso para não votarmos. Se puser isso em pauta, é muito difícil não passar, eu tenho que ser honesto com vocês”.
Agenda do governo e papel de Hugo Motta
Do outro lado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a proposta como prioridade neste último ano de mandato e busca acelerar a tramitação para levar o tema ao plenário ainda neste primeiro semestre.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou celeridade, ao anunciar o encaminhamento da proposta para a CCJ e ao sinalizar que indicará relator no início da semana, com expectativa de votação em maio.
Motta declarou, “O equilíbrio e a responsabilidade são essenciais numa matéria de tamanho impacto. O mundo evoluiu, as tecnologias se desenvolveram e o Brasil não pode ficar pra trás. Vamos capitanear a discussão ouvindo a sociedade e o setor produtivo, com a expectativa de votação em maio”.
Impactos econômicos e mobilização
A proposta reúne textos de Erika Hilton e Reginaldo Lopes que alteram a Constituição para reduzir a jornada semanal e revisar a escala atual, de seis dias de trabalho para um de descanso, para um modelo com cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Empresários e centrais sindicais estão mobilizados, cada um com interesses distintos, e estudos citados na cobertura estimam impactos econômicos expressivos, conforme manchete relacionada, “Custos das empresas com fim da escala 6×1 podem chegar a R$ 267 bi ao ano, diz CNI”.
O tema também ganhou força no calendário sindical, e as centrais apontam o fim da escala 6×1 como ponto central das comemorações do 1º de Maio, o que aumenta a pressão política sobre parlamentares no curto prazo.
Próximos passos
Com a CCJ prestes a indicar relator, a disputa agora deverá se dar nas comissões e na articulação com líderes partidários, empresários e movimentos sociais, enquanto o governo trabalha para transformar a proposta em prioridade de plenário.
Se a estratégia de obstrução for efetiva, a votação pode ser postergada até depois do período eleitoral, caso contrário, a possibilidade de aprovação permanece como risco eleitoral para quem se posicionar contra, segundo relatos dos presidentes partidários.