A prisão de Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj e visto como sucessor natural de Cláudio Castro, abala as estruturas políticas do Rio de Janeiro e lança incertezas sobre a eleição de 2026. O cenário da direita, que apostava no nome do deputado, agora se vê em busca de alternativas, enquanto Eduardo Paes surge como favorito incontestável.
A operação da Polícia Federal que levou à prisão preventiva de Bacellar, sob suspeita de vazamento de informações sigilosas para a facção criminosa Comando Vermelho, é um divisor de águas. A investigação, batizada de “Unha e Carne”, aponta para uma grave obstrução de justiça com potencial para interferir no processo eleitoral.
Esses desdobramentos, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, **descartam qualquer possibilidade de candidatura de Bacellar ao governo do estado**, mesmo que ele consiga reverter sua situação jurídica. A suposta ligação com o crime organizado, em um momento onde a segurança pública é pauta central, torna sua ascensão política inviável. A notícia cita que a PF afirma que a “ação obstrutiva” visava manter vínculos com o Comando Vermelho, “o que se traduz em milhões de votos no pleito eleitoral que se avizinha”.
Rompimento Político e Exoneração como Estopim
A relação entre Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar, embora vista como uma sucessão natural, já apresentava fissuras. O estopim para o rompimento ocorreu em julho, quando Bacellar, durante viagem de Castro ao exterior, exonerou o secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB), sem consulta prévia ao governador. A demissão gerou tensão, com Bacellar chegando a mencionar a possibilidade de um processo de impeachment contra Castro na Alerj, caso Reis fosse reintegrado.
Washington Reis, que também é pré-candidato ao governo e próximo à família Bolsonaro, enfrenta sua própria inelegibilidade devido a uma condenação por crime ambiental e loteamento irregular. Uma decisão favorável no Supremo Tribunal Federal sobre a conversão de sua pena poderia, contudo, liberá-lo para disputar as eleições de 2026.
Busca por Alternativas na Direita
Sem Rodrigo Bacellar no páreo, a família Bolsonaro e o campo da direita buscam novas opções para suceder Cláudio Castro. Nomes como o do deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), vice-presidente da Alerj, e o do secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, são cogitados. Curi, inclusive, chefiou a operação “Contenção”, considerada a mais letal da história do estado, com 121 mortes e 113 presos ligados ao Comando Vermelho.
Contudo, a falta de unanimidade no campo da direita é evidente. O debate eleitoral no estado parece cada vez mais centrado na pauta da segurança pública, o que pode favorecer nomes com histórico nessa área. A busca por um candidato que una a direita em torno de um projeto consistente para o Rio de Janeiro se intensifica.
Eduardo Paes Lidera Pesquisas e Se Consolida como Favorito
Enquanto a direita se reorganiza, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), se apresenta como o **favorito disparado** para o governo do estado em 2026. Com uma postura mais ao centro e o apoio do PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paes lidera todas as pesquisas de intenção de voto. Uma pesquisa recente do Instituto Real Time Big Data, realizada entre 1 e 2 de dezembro de 2025, com 1.500 entrevistados, aponta que Paes chega a abrir mais de 40 pontos percentuais para seus potenciais adversários, com 55% das intenções de voto em um dos cenários.
No cenário com Washington Reis incluído, Eduardo Paes mantém sua liderança expressiva, com 53% das intenções de voto, enquanto Rodrigo Bacellar aparece com 13% e Reis com 12%. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A prisão de Bacellar, portanto, pode ampliar ainda mais a vantagem de Eduardo Paes, que se beneficia da polarização e da busca por estabilidade em um cenário político conturbado no Rio de Janeiro.