Prisão do cunhado de Daniel Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos motiva nova fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu 42 mandados
Na madrugada desta quarta, a Polícia Federal prendeu Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Fontes ouvidas pela investigação informaram que Zettel foi detido horas antes da deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, mas acabou liberado posteriormente.
O caso se soma às suspeitas que envolvem o Banco Master, operações com o BRB e possíveis vínculos com fundos que lavariam dinheiro para o crime organizado, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
O que ocorreu no aeroporto e o vínculo com Dubai
Fabiano Campos Zettel foi abordado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai, onde não há confirmação pública sobre o motivo da viagem.
O episódio remete ao caso de Daniel Vorcaro, que, em 2023, foi preso em circunstâncias semelhantes, quando alegou que se deslocava ao país árabe para fechar aporte de R$ 3 bilhões de investidores no Banco Master.
Alvos, mandados e bloqueios
A segunda fase da Operação Compliance Zero cumpriu 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em cinco estados, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.
Além das buscas, a PF determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens, medida usada para interromper a atuação da organização criminosa e assegurar a recuperação de ativos.
Empresários e gestoras investigadas
Entre os alvos desta etapa estão os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-CEO da Reag Investimentos, que vinha sendo investigada desde agosto por suspeita de gerir fundos ligados ao PCC.
Algumas diligências ocorreram em endereços de gestoras na Avenida Faria Lima, ponto central do mercado financeiro em São Paulo, onde a PF apreendeu celulares, carros, artigos de luxo, armas, munições, dinheiro em espécie e documentos.
Defesa de Vorcaro e suspeitas centrais
A defesa de Daniel Vorcaro declarou que “o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.
O inquérito apura duas frentes, segundo fontes: irregularidades na operação com o BRB, envolvendo venda de carteiras de crédito sem lastro no valor de R$ 12 bilhões, e o possível uso de fundos para lavagem de recursos do crime organizado.
O ministro Dias Toffoli determinou sigilo máximo dos autos e estabeleceu que novas diligências relacionadas ao caso só serão realizadas com autorização prévia da Corte, por suspeita de envolvimento de pessoas com foro privilegiado.
As medidas da PF, segundo a corporação, visam “interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações”.