Com mapeamento georreferenciado e troca de créditos de ICMS por infraestrutura, o Programa Conectividade Rural busca reduzir a exclusão digital e acelerar serviços essenciais no interior
O governo do Paraná lançou uma política pública para levar internet e telefonia a vilas, assentamentos e comunidades distantes, com prioridade técnica nas áreas mais vulneráveis.
O projeto mapeou regiões sem cobertura e cruzou dados de relevo, densidade populacional e indicadores socioeconômicos para definir onde a infraestrutura deveria chegar primeiro.
Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Diagnóstico e critérios de prioridade
O Programa Conectividade Rural nasceu para enfrentar a contradição do estado, que tem grande área dedicada ao campo, mas muitas comunidades sem acesso digital.
Segundo levantamento citado pelo programa, 98% do território do Paraná está em área rural, e, no início do projeto, “apenas 51% da área rural tinha conectividade”, conforme afirmou Julio Cesar de Oliveira, diretor de Relações Institucionais da Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial.
“A gente correlacionou conectividade com Índice de Desenvolvimento Humano e ficou evidente que os municípios com menor IDH eram os que tinham menos acesso”, disse Oliveira, ao explicar o uso de metodologias técnicas para definir prioridades.
Modelo de financiamento e instalação de torres
Uma inovação do programa foi criar um mecanismo para atrair operadoras sem depender apenas do mercado, ao permitir que empresas convertam créditos de ICMS em investimentos em infraestrutura.
Na explicação do diretor, “É um acerto de contas: a empresa transforma imposto em infraestrutura. Assim, comunidades que só seriam atendidas em 2029 ou 2030 passaram a receber sinal agora”.
Até o fim de 2025, 359 torres haviam sido instaladas, dentro de um total contratado superior a 500 estruturas, e a meta estadual é conectar todas as localidades rurais do estado até o término de 2026.
Impacto econômico e serviços públicos
O programa também apresenta estimativas de impacto econômico e social, com levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, Ipardes, que aponta impacto superior a R$ 2 bilhões no PIB estadual com a ampliação da conectividade em áreas rurais.
Além do efeito sobre a economia, a chegada da internet acelera serviços de segurança e emergência, facilita pagamentos e amplia o acesso a educação e bancos digitais.
Experiências locais e cidadania digital
Moradores relatam mudanças práticas no dia a dia, com menos deslocamento para conseguir sinal e mais oportunidades de estudo e trabalho remoto.
Cleverson Luiz, da zona rural da Lapa, conta que “Hoje temos sinal de celular dentro de nossas casas, sendo que antes tínhamos que sair à procura de sinal e andar até dois quilômetros para melhorar a comunicação que depende da internet”.
Ele acrescenta que “Minha filha pode estudar e fazer pesquisas pela internet. Antes, a gente precisava ir até a cidade, que fica a 15 quilômetros, só para ela conseguir fazer um trabalho”.
Outro morador, Dzikovicz, afirmou que “Não só eu e minha família, mas todo o pessoal daqui está aproveitando essa melhoria. Usar o aplicativo do banco, fazer pagamentos, falar com alguém: hoje você pega o sinal direto. Temos internet boa e sinal de celular, e isso foi muito bom para a comunidade em geral”.
Para Julio Cesar de Oliveira, “Conectividade é como água e oxigênio. Uma criança da área rural não consegue competir com uma da área urbana sem internet. Cada torre que se ergue é cidadania”, reforçando o aspecto de inclusão social da iniciativa.
Gestão integrada e próximos passos
O secretário de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, destaca que a execução dependeu de coordenação entre secretarias, como Agricultura e Fazenda, além de parcerias com o setor privado.
Segundo Canziani, “É nossa responsabilidade consolidar os indicadores, análises de cobertura geográfica, dados socioeconômicos e projeções de impacto para determinar prioridades de implantação”.
Ele acrescenta que “Essa abordagem baseada em evidências garante que os investimentos não sejam arbitrários, mas orientados por critérios claros de necessidade e potencial de impacto”, apontando para a continuidade do programa até alcançar a meta de 2026.