Rússia limita apoio a Maduro em meio a sanções e guerra na Ucrânia, deixando Venezuela em xeque contra os EUA
Apesar das recentes declarações de apoio de Vladimir Putin a Nicolás Maduro, a Rússia demonstra ter pouca capacidade ou disposição para intervir militarmente em favor da Venezuela contra os Estados Unidos. A proximidade entre os líderes, marcada por conversas telefônicas e acordos de cooperação em segurança, esbarra em uma realidade complexa para Moscou.
Maduro, que busca auxílio militar diante da crescente presença americana no Caribe, pode se deparar com uma decepção. A Rússia, imersa na guerra da Ucrânia e enfrentando suas próprias dificuldades econômicas, tem direcionado a maior parte de seus recursos para o conflito, limitando sua capacidade de projetar poder em outras regiões.
A situação da Venezuela é comparada por analistas a outros aliados russos que foram deixados à própria sorte. Em 2024, a Síria, sob o regime de Bashar al-Assad, não recebeu o socorro esperado de Moscou. Em 2023, a Armênia foi deixada sem proteção contra o Azerbaijão, e o Irã viu Putin lavar as mãos durante conflitos com Israel.
Rússia Prioriza Ucrânia e Limita Recursos para Aliados
As dificuldades financeiras e militares da Rússia, intensificadas pela guerra na Ucrânia, são um fator determinante. Segundo informações da Agência EFE, o ministro da Defesa russo, Andrey Belousov, afirmou que 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) russo foi destinado à defesa em 2024, sendo que 5,1% estão diretamente ligados ao conflito ucraniano.
Essa concentração de esforços na Ucrânia significa que a Rússia “simplesmente não tem mais a capacidade ou o compromisso de manter de forma abrangente seus relacionamentos com seus aliados”, conforme análise de Kareem Rifai, pesquisador do American Enterprise Institute, para o site RealClearWorld.
Rifai projeta que, em um momento de crise, Maduro não deve esperar “apoio aéreo russo atravessando o Atlântico, nem o mesmo envio de tropas russas que ocorreu em 2019”. A Rússia está focada em sua guerra em grande escala, o que a impede de oferecer suporte decisivo a outros países.
Cálculo Estratégico: O Medo de Armar um Futuro Regime Opositor
Outra razão para a relutância russa em fornecer armamento pesado à Venezuela pode ser um cálculo estratégico semelhante ao observado no apoio à Ucrânia. A revista The Atlantic aponta que, assim como aliados da Ucrânia hesitaram em enviar armamento pesado por medo de que caísse em mãos russas, Putin pode recear que armas russas acabem em mãos de um futuro governo venezuelano opositor.
Se Putin considera que Maduro está com os dias contados, como sugeriu o presidente dos EUA, Donald Trump, o líder russo pode evitar o risco de equipar um novo regime em Caracas com tecnologia militar russa. Essa cautela se soma às limitações práticas de recursos.
Maduro Busca Apoio Militar e Recebe Declarações de Apoio
Em outubro passado, o jornal The Washington Post noticiou que Maduro havia enviado cartas à Rússia e à China solicitando apoio militar, incluindo mísseis e assistência técnica. Embora a Rússia tenha ratificado um Tratado de Associação Estratégica com a Venezuela, focado em segurança e combate ao terrorismo, a confirmação de ajuda militar efetiva permanece incerta.
A conversa telefônica entre Putin e Maduro na semana passada, onde o russo reafirmou “apoio” à “proteção dos interesses nacionais e da soberania” venezuelana, soa mais como um gesto diplomático do que uma promessa de intervenção militar direta. A pressão externa dos Estados Unidos, com operações antidrogas no Caribe e ameaças de ações terrestres, coloca o regime chavista em uma posição cada vez mais delicada.
Histórico de Aliados Desamparados Abre Precedente para Venezuela
Os casos da Síria, Armênia e Irã servem como um alerta para Nicolás Maduro. A promessa de apoio russo, muitas vezes expressa em discursos e acordos, nem sempre se traduz em ações concretas quando os aliados enfrentam crises severas. A Rússia tem demonstrado que suas prioridades e capacidades limitadas a impedem de ser um salvador confiável para todos os seus parceiros.
A dependência venezuelana de apoio russo, portanto, parece ser mais retórica do que substancial. Diante da força americana e das limitações russas, o futuro do regime de Maduro permanece incerto, com poucos sinais de que Moscou estará disposto a arriscar um confronto direto com os Estados Unidos em seu favor.