Reza Pahlavi reaparece como alternativa à teocracia, promovendo uma transição democrática e laica, enquanto segue no exílio e ganha visibilidade internacional
Reza Pahlavi não pisa em Teerã há quase cinco décadas, ainda assim seu nome voltou a ser cantado nas ruas do Irã por manifestantes que buscam uma ruptura com o regime atual.
O herdeiro do último xá se apresenta como opção de liderança moral, pedindo uma mudança pacífica e a realização de eleições livres, sem reivindicar a restauração automática da monarquia.
Nas declarações públicas, Reza Pahlavi tem defendido que o futuro político do Irã seja decidido pelo povo, reaparecendo como referência para opositores tanto dentro quanto fora do país, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Origens, formação e vida no exílio
Reza Pahlavi nasceu em 1960 e deixou o Irã em 1978 para estudar nos Estados Unidos, ele nunca mais voltou ao país natal.
Nos EUA, fez treinamento militar no Texas e concluiu sua formação como piloto de aviões de combate, vivenciando também períodos no Egito e no Marrocos, antes de estabelecer-se em Maryland em 1984.
Casado desde 1986 com Yasmine Etemad-Amini, uma advogada iraniana nos Estados Unidos, o casal tem três filhas, todas americanas, e vive uma rotina discreta, que o próprio costuma resumir como “como qualquer outra de classe média”.
Posição política e discurso público
Do exílio, Reza Pahlavi tem divulgado vídeos e comunicados dirigidos ao povo iraniano, pedindo união entre liberais, nacionalistas e minorias étnicas para derrubar o sistema teocrático.
Ele defende um Irã democrático e laico, e afirma, nas palavras publicadas, “Cabe ao povo escolher se quer uma república, uma monarquia constitucional ou outro modelo”, posicionamento que evita uma imposição do passado sobre o futuro.
Sem partido, sem tropas e sem território, Pahlavi aposta em sua visibilidade internacional e em contatos com governos estrangeiros para ampliar o apoio à oposição.
Contexto dos protestos e riscos ao regime
O regime teocrático, no poder há décadas, enfrenta uma onda de protestos que misturam queixas econômicas e políticas, com cidadãos nas ruas por inflação, desemprego e falta de itens básicos.
Segundo relatos, autoridades do país admitiram a morte de mais de 2 mil pessoas, informação que ilustra a intensidade da crise e a resposta violenta do Estado.
Representantes do governo atribuem parte da violência a “terroristas”, e citam também a responsabilidade de Estados Unidos e Israel, conforme informações difundidas pela cobertura sobre o caso.
Limites, apoio externo e desafios
Apesar do simbolismo, Reza Pahlavi enfrenta resistência interna, já que para muitos a dinastia Pahlavi remete a autoritarismo e desigualdades do passado, o que complica sua aceitação como líder unificador.
Os Estados Unidos acompanham a crise, com figuras da oposição no exílio, incluindo Pahlavi, recebendo interlocução diplomática, embora a Casa Branca evite reconhecer formalmente qualquer líder exilado.
O ex-presidente Donald Trump afirmou que adotará “medidas muito duras” caso o governo iraniano siga reprimindo os protestos com violência, sinalizando que a comunidade internacional observa com atenção, mas também com cautela.
Sem base territorial e sem apoio militar próprio, o papel de Reza Pahlavi depende da capacidade de transformar visibilidade em coesão interna, e de articular uma frente ampla dentro do Irã que supere divisões históricas.
Em um cenário volátil, o nome do herdeiro do xá segue sendo invocado nas ruas, com manifestantes chegando a gritar “viva o rei”, expressão que simboliza tanto a rejeição ao regime atual quanto a busca por alternativas políticas, conforme registro da Gazeta do Povo.