Como parte da reação de Cuba à captura de Maduro, Havana ampliou vigilância, restringiu circulação de opositores e reforçou presença policial, por temor à crise do petróleo
A ilha intensificou patrulhamento e controle do espaço público depois da operação militar que levou à captura do ex-ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
Autoridades cubanas adotaram medidas preventivas contra possíveis protestos e instabilidade interna, com foco em conter manifestações e isolar ativistas críticos ao regime.
As ações incluem vigilância em residências, ordens informais de não circulação e reforço policial em áreas centrais de Havana, com patrulhamento ostensivo, conforme informações divulgadas pela Cubalex e pela Associated Press.
Medidas de segurança e controle interno
Segundo a organização de direitos humanos Cubalex, houve aumento significativo da vigilância em frente a casas de opositores, com agentes de segurança monitorando movimentos e controlando acessos.
Em locais como Havana Vieja, o centro histórico da capital, foi registrado controle contínuo do espaço público durante todo o fim de semana, com presença policial e militar mais visível nas ruas.
Oposição e ativistas sitiados
Cubalex identificou membros do Partido União por Cuba Livre, incluindo Juan Luis Bravo, José Elías González Aguero e Cecilio Félix Moreno Suárez, como permanecendo sitiados por forças de segurança, sem autorização para circular livremente.
O opositor Miguel Ángel Herrera relatou estar sob vigilância constante em Guantánamo, e o coordenador do Foro Antitotalitário Unido, Guillermo Fariñas, recebeu ordem para não sair de casa entre segunda e terça-feira, sob ameaça de nova detenção, apesar de enfrentar problemas de saúde.
Resposta oficial de Havana
O ditador Miguel Díaz-Canel condenou a operação em Caracas, classificando-a como “ilegal”, e decretou dois dias de “luto nacional” pela morte de 32 agentes cubanos que integravam o esquema de segurança de Maduro.
A declaração oficial revela o envolvimento direto de Cuba nas estruturas de segurança e inteligência do regime venezuelano, e serviu para justificar medidas de mobilização e alerta interno.
Impacto econômico e apreensão regional
Relatório da Associated Press apontou que a captura de Maduro gerou grande apreensão entre autoridades cubanas devido ao risco de interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano, essencial para a frágil economia da ilha.
A perda do aliado em Caracas, segundo a AP, aprofunda a vulnerabilidade do regime cubano, o que explica a adoção de medidas repressivas preventivas na tentativa de evitar repercussões internas e choques econômicos.
Analistas e organizações de direitos humanos monitoram os desdobramentos, enquanto a população enfrenta maior presença policial e restrições de circulação em um cenário de incerteza regional.