Em São Paulo, refugiados iranianos no Brasil acompanham com apreensão os bombardeios e temem que prisões políticas sejam alvo de retaliações do regime, afirmam organizadores e manifestantes
Refugiados iranianos no Brasil dizem acompanhar com preocupação os ataques no Oriente Médio e temem uma intensificação da repressão no Irã, sobretudo contra presos políticos.
Ario Narriri, refugiado há 12 anos em São Paulo, relata contato constante com familiares desde a madrugada deste sábado, e diz que o maior medo é pela sorte daqueles detidos pelo regime.
Os manifestantes organizam mais uma ação pública na Avenida Paulista neste domingo, e afirmam que não vão cessar os protestos apesar de retaliações sofridas por parentes no Irã, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Medo por presos políticos
O receio central entre refugiados iranianos no Brasil é a possível eliminação de opositores condenados nas prisões do Irã em consequência das ofensivas. Narriri afirma, com preocupação, “Existe uma preocupação enorme, sobretudo com os prisioneiros do regime. Em ataques desse tipo, eles podem ser eliminados”, conforme declaração registrada pela Gazeta do Povo.
Ele contou ainda que deixou o país ao lado da esposa após perseguição por participação em protestos contra o líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, e que as autoridades “Bloquearam tudo o que tínhamos. Tentaram negociar nossa volta, mas não conversamos com um regime que tem o sangue do nosso povo nas mãos”, frase que foi atribuída a ele pela Gazeta do Povo.
Protestos em São Paulo e temores de retaliação
Segundo os ativistas, os protestos na Avenida Paulista começaram após o corte de internet e milhares de mortes de pessoas contrárias ao governo do Irã, em janeiro deste ano, e chegam agora a sua sétima edição. A mobilização em São Paulo estava marcada para começar a partir das 11h, e os organizadores descrevem as ações como pacíficas, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
Os refugiados relatam que o movimento perdeu participantes por causa de represálias, e que há registro de familiares levados pelas autoridades iranianas como forma de intimidação. “Membros do regime aparecem para filmar os protestos. Depois, parentes e amigos que estão no Irã sofrem represálias. Levaram a mãe de um participante e o irmão de outro”, disseram os manifestantes, em relatos noticiados pela Gazeta do Povo.
Pedido por eleições e contexto internacional
Os opositores afirmam que o futuro do Irã deve ser decidido nas urnas, e que o modelo de governo importa menos do que a vontade popular. Narriri declarou, segundo a reportagem, “Não importa o modelo. Importa que o povo escolha. Temos monarquistas, liberais e democratas no movimento. Estamos unidos pela queda da República Islâmica e pelo direito de decidir nas urnas”.
Os ataques anunciados por Estados Unidos e Israel reforçaram a leitura dos exilados de que a pressão internacional mira o núcleo do poder iraniano. “O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os bombardeios e divulgou um vídeo no qual convocou a população iraniana a assumir o controle do país”, e “O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adotou discurso semelhante”, informa a cobertura da Gazeta do Povo, que também registra que o governo israelense admite tentar atingir figuras centrais do regime.
Refugiados iranianos no Brasil afirmam que seguirão reunidos e em protesto para dar visibilidade às demandas por liberdade e por um processo eleitoral que permita ao povo do Irã escolher seu futuro, mesmo diante do clima de apreensão e medo por retaliações diretas contra familiares que permanecem no país, conforme divulgado pela Gazeta do Povo.