Como o tarifaço dos Estados Unidos, a COP30 e decisões locais colocaram à prova a resiliência do setor florestal, alteraram empregos e definem prioridades para 2026
O ano de 2025 começou com expectativas de expansão, investimentos e demanda aquecida pelos produtos de base florestal.
Empresas planejaram ampliar produção e o Brasil parecia consolidar posição como referência em manejo sustentável, até que medidas externas mudaram o cenário.
O choque provocado por tarifas internacionais forçou ajustes rápidos, com efeitos econômicos e sociais que reverberaram nas comunidades produtoras.
conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Choque externo e impacto imediato
O chamado tarifaço adotado pelo governo dos Estados Unidos afetou de forma direta a competitividade das exportações brasileiras.
As tarifas foram, inicialmente, de 10% a partir de abril e elevadas para 50% em agosto, gerando desequilíbrio comercial imediato.
O resultado incluiu suspensão temporária de atividades, férias coletivas, layoff e demissões que podem chegar a 10 mil trabalhadores até o fim de 2025, com impacto concentrado em regiões florestais.
Paraná, produção e manutenção de postos de trabalho
Mesmo em meio à crise, o Paraná manteve posição de destaque na produção florestal e na geração de empregos.
No estado, o setor mantém cerca de 109 mil empregos diretos e mais de 400 mil indiretos, e preservou a vice-liderança no valor da produção florestal, alcançando R$ 6,9 bilhões em 2024, um crescimento superior a 20% em comparação ao ano anterior.
O Paraná possui cerca de 1,17 milhão de hectares plantados, sendo 710.836,77 hectares de pinus, 438.721,37 hectares de eucalipto e 6.486,96 hectares de araucária.
Resiliência, inovação e compromissos
Em resposta ao choque externo, o setor florestal reafirmou compromissos com sustentabilidade e investiu em silvicultura de alta performance.
Segundo a entidade representativa, a atuação junto ao poder público, universidades e parceiros foi mantida, e reiterou-se a promoção da madeira como material estratégico para um futuro que exige sustentabilidade e tecnologia.
Nas palavras de Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal, “A floresta cresce em silêncio, enfrentando vento, frio, seca e até decisões políticas imprevisíveis. E, mesmo assim, segue firme.”
Rumo a 2026, prioridades e expectativas
O ano de 2026 será simbólico, com os 120 anos da introdução do pinus no Brasil, e traz a necessidade de consolidar segurança jurídica e competitividade.
Durante a COP30, realizada em novembro, em Belém do Pará, o Banco Mundial reforçou o papel do setor florestal como potencial fomentador de emprego e de estabilidade econômica, apontando oportunidades para bioeconomia e novos arranjos industriais.
As prioridades sinalizadas incluem segurança jurídica, ampliação do uso da madeira na construção civil, estímulo à inovação aplicada ao manejo e fortalecimento da bioeconomia, para que o crescimento do setor siga sustentado e socialmente responsável.