HomeBlogSTF pode redefinir a liberdade de expressão antes da eleição com julgamento...

STF pode redefinir a liberdade de expressão antes da eleição com julgamento do Tema 837 e ADIs sobre magistrados, Alexandre de Moraes pode ampliar restrições

Data:

Posts Relacionados

Decisões sobre o Tema 837 e as ADIs 6.293 e 6.310, marcadas para 4 e 11 de fevereiro de 2026, podem limitar manifestações em redes e reinterpretar ‘fato sabidamente inverídico’

O Supremo Tribunal Federal tem na pauta do início de fevereiro de 2026 dois julgamentos que podem redesenhar os limites da liberdade de expressão no Brasil, a poucos meses do início oficial da campanha eleitoral.

Na semana de início de fevereiro, o plenário examinará as Ações Diretas de Inconstitucionalidade 6.293 e 6.310, sobre regras para manifestações políticas de magistrados em redes sociais, e, em seguida, retomará o julgamento do Tema 837, que discute responsabilização por críticas que causem dano reputacional ou econômico.

Os casos estão sendo acompanhados por juristas que alertam para o risco de ampliar mecanismos de censura, com papel central do ministro Alexandre de Moraes em ambos os processos, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

O que está em julgamento

No dia 4 de fevereiro o plenário julgará as ADIs 6.293 e 6.310, que trazem limites específicos para manifestações de juízes em redes sociais, propostas pela Ajufe e pela AMB contra resolução do CNJ. Em 11 de fevereiro será retomado o Tema 837, cujo relator original foi o ministro aposentado Luís Roberto Barroso.

Barroso afirmou que, em regra, campanhas de mobilização para boicote a eventos ou organizações estão protegidas pela liberdade de expressão, mas admitiu exceções, em caso de “divulgação de fato sabidamente inverídico” ou “má-fé da parte que divulgou o conteúdo”.

Por que juristas soam o alerta

Especialistas consultados pela reportagem dizem que a proximidade das datas pode permitir decisões complementares que restrinjam o que se pode dizer nas redes, ainda mais em ano eleitoral.

O advogado André Marsiglia afirmou, textualmente, “As cortes superiores não deveriam ou não podem discutir nunca casos concretos, e sim sempre teses abstratas, porque essas teses abstratas acabam sendo sempre exportadas para outros casos concretos”. Ele acrescentou, também em suas palavras, “Não sei se é um erro. Acho que é mais uma estratégia do STF para, a partir de casos concretos, decidir sobre redes sociais e liberdade de expressão sem que os holofotes estejam ligados sobre eles”.

Origem do Tema 837 e precedentes

O Tema 837 tem origem em uma disputa de 2011 entre a ONG Projeto Esperança Animal e a Festa do Peão de Barretos, quando críticas sobre maus-tratos a animais teriam gerado prejuízos comerciais aos organizadores. O caso foi reconhecido como de repercussão geral e ampliado para definir critérios aplicáveis em todo o país.

A jurista Katia Magalhães declarou, em comentário reproduzido, “Eles utilizam esses pretextos de alguns casos, como o dessa professora primária, que deu ensejo ao julgamento da censura. Aproveitaram esse caso, como aproveitam muitos casos de pedofilia, de incitação ao assassinato. O artigo 19 do Marco Civil, que eles reescreveram, já era muito claro. E o 21, que acabaram reescrevendo para substituir o 19, tratava exatamente dos casos de pornografia, pedofilia, dizendo que bastava a mera notificação para criar a obrigação de retirada. E era a lei que definia, não era um juiz”.

Katia também questionou o conceito usado por Barroso, afirmando, “A pergunta que eu faço é: o que é fato sabidamente inverídico? Eu não sei”. Para ela, essa subjetividade já foi invocada em decisões anteriores do STF para justificar censura.

Impacto prático e político

O papel de Alexandre de Moraes é considerado determinante, porque ele pediu vista do Tema 837 em setembro de 2025 e é relator das ADIs sobre magistrados. Juristas temem que um voto mais restritivo de Moraes possa balizar posições dos demais ministros, e que regras aplicadas inicialmente a juízes sejam depois estendidas ao público em geral.

Além do efeito jurídico, decisões sobre a interpretação da liberdade de expressão em conteúdos digitais podem ter impacto direto na campanha de outubro, ao definir limites para críticas, boicotes e comunicações políticas online.

O desfecho dos julgamentos será acompanhado por entidades da magistratura, pela sociedade civil e por especialistas em liberdade de expressão, que aguardam, em paralelo, votos e fundamentos que expliquem como o tribunal pretende conciliar a liberdade de expressão com direitos à honra e à imagem.

Recentes

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

O Informativo Brasil
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.