Negociação liderada por Donald Trump avança em plano de 20 pontos, mas acusação russa sobre ataque com drones à residência de Putin ameaça retroceder entendimentos
As negociações entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia entraram em nova fase neste fim de semana, com mediação direta do presidente americano, Donald Trump.
O encontro entre Trump e Volodymyr Zelensky na Flórida criou grupos de trabalho para tratar segurança e economia sobre um plano de paz de 20 pontos.
No entanto, a denúncia do Kremlin sobre um suposto ataque à residência do presidente russo reacende a tensão e pode comprometer passos acordados, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
O que já estava acertado e o papel do plano de 20 pontos
Segundo o texto apresentado por Kiev em conjunto com Washington, cerca de 95% do plano de 20 pontos estaria acordado, restando pontos controversos, como o futuro do Donbass e o controle de Zaporizhzhya.
O documento reafirma a soberania ucraniana e propõe um acordo de não agressão completo entre Moscou e Kiev, acompanhado por um sistema de monitoramento internacional.
O plano também prevê garantias de segurança robustas para a Ucrânia, com aportes dos Estados Unidos, da União Europeia e de países signatários, em modelo inspirado no artigo 5º da Otan.
O suposto ataque e as reações imediatas
O Kremlin informou nesta segunda-feira que a residência oficial de Vladimir Putin foi alvo de um ataque, atribuído às forças ucranianas e supostamente realizado com drones.
O regime russo usou a ocorrência para sinalizar que pode rever ou retroceder em acordos já alcançados nas negociações, adotando uma postura mais dura.
O governo de Kiev negou qualquer envolvimento na ação e acusou Moscou de fabricar pretextos para sabotar o avanço diplomático e endurecer sua posição.
Em resposta pública, Zelensky afirmou, no Telegram, que “os russos criaram uma história obviamente falsa sobre um ataque à residência de um ditador russo, apenas para interromper os avanços diplomáticos alcançados com os Estados Unidos”.
O presidente Trump comentou o episódio e declarou, citando a ligação com Putin, “Soube disso hoje pelo presidente Putin e fiquei muito irritado”, e acrescentou, “Não é o momento certo para esse tipo de coisa”.
Sobre a veracidade da acusação, Trump ponderou, “É possível que seja falso, mas o presidente Putin me disse isso hoje de manhã”.
Grupos de trabalho, nomes e prazos
Após a reunião de domingo, Trump anunciou a criação de dois grupos de trabalho, um para segurança e outro para questões econômicas, com representantes de Kiev, Washington e, segundo o Kremlin, de Moscou.
O time americano incluiria o secretário de Estado Marco Rubio, Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA.
Zelensky afirmou que os grupos devem apresentar resultados já em janeiro, e que o objetivo é avançar na implementação do plano de 20 pontos.
Riscos para o processo de paz e cenários possíveis
A acusação sobre o ataque à residência de Putin coloca em xeque a continuidade das conversas, porque Moscou tem histórico de oscilar entre diálogo e endurecimento militar.
Se a Rússia usar o episódio para justificar uma escalada, pontos sensíveis do acordo, como garantias de segurança e o status de territórios ocupados, podem ser renegociados ou abandonados.
Por outro lado, Estados Unidos e Ucrânia seguem comprometidos em tentar consolidar acordos técnicos e de fiscalização, e membros do grupo americano têm prazo curto para apresentar propostas.
O desfecho dependerá do exame das evidências sobre o suposto ataque, da capacidade de pressões diplomáticas para conter retórica inflamada, e da vontade de Moscou de manter os entendimentos iniciados em solo americano.