Tarcísio de Freitas adiou ida à Papudinha, Mello Araújo criticou a decisão e Flávio, Valdemar e aliados do ex-presidente reagiram, gerando novos questionamentos sobre coesão da direita
O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, criticou nesta quarta-feira a decisão do governador Tarcísio de Freitas de cancelar a visita ao ex-presidente Bolsonaro na Papudinha, em Brasília.
A visita havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e estava marcada para quinta-feira. Tarcísio chegou a confirmar a ida, mas depois informou que precisaria adiar a agenda por compromissos em São Paulo.
O episódio provocou declarações públicas de aliados e tensionou a aliança em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que suscitou críticas internas, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Autorização, confirmação e adiamento
A visita do governador ao ex-presidente foi autorizada por Alexandre de Moraes e inicialmente confirmada por Tarcísio, que disse a jornalistas, “Vou sobretudo visitar um grande amigo, uma pessoa por quem tenho muita consideração. Vou manifestar a minha solidariedade e o meu apoio, ver se ele está precisando de alguma coisa e reforçar que ele sempre poderá contar comigo”.
Pouco depois, a assessoria do Palácio dos Bandeirantes informou: “A visita do governador Tarcísio de Freitas ao presidente Bolsonaro será adiada a pedido do governador para cumprimento de compromissos em São Paulo. Uma nova data será solicitada”.
Crítica de Mello Araújo e defesa do gesto
O vice-prefeito Mello Araújo classificou o cancelamento como um erro e defendeu a ida ao hospital, afirmando, “Tarcísio deveria ir. É um equívoco cancelar. A visita é um gesto humanitário. É muito necessário que ele vá [visitá-lo]. Bolsonaro está passando por uma situação difícil”.
Mello Araújo também afirmou, textualmente, que “metade do povo brasileiro gostaria de visitar Bolsonaro”, argumento usado para sustentar que a visita teria significado político e simbólico junto à base bolsonarista.
Reação dentro do PL e fala de Flávio Bolsonaro
Depois da autorização judicial, o senador Flávio Bolsonaro declarou que o pai poderia dar um ultimato e ressaltou o papel da eleição em São Paulo na estratégia nacional. Ele afirmou, “Primeiro, acredito que ele queira visitar o amigo Jair. Tarcísio gosta muito do Bolsonaro e sempre pergunta como ele está. Em segundo, para ouvir da boca de Bolsonaro que ele está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT”.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, procurou minimizar o episódio, dizendo que não há clima de ruptura e afirmando, “Tarcísio é um homem sério, não ficou chateado. Ele vai entrar na campanha [de Flávio] para valer. Essa história sobre ter algum incômodo é coisa do PT tentando colocar fogo na situação”.
Climão, aliados e possíveis efeitos políticos
O episódio se soma a atritos prévios entre aliados, como quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o próprio Tarcísio foram criticados por curtirem uma publicação da primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, sobre a necessidade de um “novo CEO” para o país.
Na sequência, nomes da base como Carlos Bolsonaro e o jornalista Allan dos Santos atuaram para expor reações e ampliar o debate, alimentando especulações sobre coesão e disputas internas no campo da direita, enquanto o PL busca manter unidade em torno da candidatura de Flávio.
O adiamento da visita deixa em aberto uma nova data e mantém o assunto no centro das conversas políticas, ao mesmo tempo em que realça divergências sobre como a sigla e seus líderes devem se posicionar publicamente frente à situação de Jair Bolsonaro.