Economia em alerta e eventos conturbados: governo Lula enfrenta crescente desaprovação e desafios para 2026
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê sua popularidade ameaçada por um cenário econômico desafiador e uma série de eventos que geram desgaste político, justamente no momento em que se aproxima o início do ano eleitoral. Pesquisas recentes indicam uma **perda de fôlego na aprovação**, revertendo a tendência de alta observada em meses anteriores.
A sequência de notícias negativas, que começou com a megaoperação policial no Rio de Janeiro e reacendeu o debate sobre segurança pública, agora se soma ao temor de estagnação econômica. O eventual esgotamento de estratégias orçamentárias para equilibrar as contas públicas também pode alimentar o discurso da oposição e trazer novas ameaças à reeleição.
Conforme divulgado por institutos como Genial/Quaest, Paraná Pesquisas e Futura Inteligência, a aprovação do governo Lula registrou estagnação ou queda, enquanto a desaprovação avançou. O levantamento Quaest, por exemplo, apontou que a popularidade do presidente **recuou pela primeira vez desde maio**, com a desaprovação atingindo 50%.
Juros altos e endividamento recorde freiam o crescimento econômico
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central, mostrou um **recuo de 0,9% no terceiro trimestre**, um reflexo direto da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. Essa alta taxa, a maior desde 2006, tem um impacto significativo na atividade econômica do país.
Outro dado alarmante é o **endividamento das famílias brasileiras**, que atingiu um recorde em outubro, com 80% delas possuindo alguma dívida, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). O número de inadimplentes também bateu recorde, com 30,5% das famílias com dívidas em atraso.
O mercado de trabalho também apresenta sinais preocupantes. Em outubro, foram abertas 85,1 mil vagas formais, uma **queda de 35% em relação ao mesmo mês de 2024**. Este foi o pior resultado para o mês de outubro desde 2020.
Expectativas negativas na indústria e queda na demanda por produtos
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que seu índice de expectativa de demanda por produtos industriais caiu para 51,3 pontos em novembro, a **pior marca para este mês desde 2016**. Essa queda reflete uma percepção de menor intensidade no consumo para o fim de ano.
As expectativas para o emprego no setor industrial e para as exportações também são negativas, com os respectivos índices caindo para 49,1 e 48 pontos. Isso indica que empresários antecipam uma **redução nas vendas**, tanto no mercado interno quanto no externo.
Desgastes políticos e a COP 30 em Belém
Além dos desafios econômicos, o governo Lula enfrenta desgastes políticos. A nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura fraudes bilionárias na Previdência, elevou a pressão sobre o Planalto e impulsionou os trabalhos da CPMI do INSS, comandada pela oposição.
A realização da Cúpula do Clima (COP30) em Belém também gerou repercussão negativa. Problemas de infraestrutura, como um incêndio em um dos pavilhões, e os altos gastos com o evento, estimados em ao menos R$ 787,2 milhões, foram apontados pela oposição e pela imprensa internacional como falhas na organização.
Oposição ganha força em meio a cenário de incertezas
Analistas como Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, alertam que a **persistência das dificuldades econômicas e a percepção de ineficiência podem agravar o cenário** para o governo. A reação do governo a episódios como a operação no Rio de Janeiro também não obteve o êxito esperado.
O professor de Ciências Políticas Antônio Flávio Testa aponta que a população pode estar mais inclinada a apoiar a pauta conservadora, especialmente em relação à segurança pública. A possibilidade de o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixar o cargo para concorrer em 2026 também gera especulações negativas.
Com um cenário menos previsível para 2026, o governo Lula precisa não apenas contrastar com a oposição, mas também apresentar **entregas concretas e recuperar a confiança do eleitor moderado**, segundo Arruda. A ascensão da pauta da segurança pública, impulsionada pelo sentimento de insegurança e por protestos contra o crime organizado, fortalece o campo conservador.
Pesquisas confirmam queda na aprovação e avanço da desaprovação
O levantamento Paraná Pesquisas indicou que **45,9% dos eleitores aprovam o governo Lula, enquanto 50,9% desaprovam**. Em outubro, esses números eram de 47,9% de aprovação e 49,2% de desaprovação, mostrando uma tendência de queda na avaliação positiva da gestão petista.
O novo cenário político é marcado por uma guinada nas prioridades nacionais, com a segurança pública ganhando destaque. Esse tema, historicamente distante da esquerda, expõe uma lacuna que o campo conservador, impulsionado pela insegurança e por desgastes adicionais do governo, busca explorar.