Operação busca consolidar uma Venezuela realinhada aos EUA, pressionando líderes locais a abandonar laços militares e financeiros com Moscou, Pequim e Teerã
A captura do ex-ditador Nicolás Maduro marcou um ponto de inflexão na postura dos Estados Unidos na América Latina.
Mais do que uma ação contra um regime acusado de narcotráfico, a operação tem caráter geopolítico, com clara mensagem a rivais globais.
Nas análises, a intenção é forçar uma Venezuela realinhada aos EUA, reconfigurando influência e interesses no hemisfério ocidental, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Objetivo estratégico e mensagem a potências rivais
Para analistas citados na coluna, a ação americana foi concebida com fins práticos, e menos com intenção declarada de mudança ideológica do regime.
A ideia central é enquadrar o que resta da estrutura chavista, obrigando suas lideranças a renegociar prioridades e alinhamentos.
O gesto, na leitura das fontes, é também um recado direto a Rússia e à China, que, segundo relatos, ampliaram sua presença militar e logística em Caracas ao longo da última década.
Laços militares e financeiros com Moscou, Pequim e Teerã
Um dos dados que fundamentam essa preocupação aparece em reportagem citada pela Gazeta do Povo, ao mencionar que, segundo um estudo do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, “um estudo do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo apontou, ainda em 2023, que desde 2010 o chavismo recebeu R$5 bilhões em investimentos militares, além de equipamentos como mísseis, veículos blindados e anfíbios”.
Esses recursos e equipamentos, indicam especialistas, ampliaram a capacidade do regime de atuar como um ponto de apoio para interesses de potências com rivalidade aberta aos Estados Unidos.
Além disso, segundo reportagem do jornal ABC, a Venezuela manteve relações financeiras com o Irã, com receitas de petróleo usadas, em parte, para subsidiar programas que desafiam a ordem internacional, e com transações que teriam burlado sanções por meio de empresas estatais e de fachada.
O discurso público e a justificativa oficial
Nos pronunciamentos oficiais, autoridades americanas ligaram a ação a uma estratégia hemisférica.
Em entrevista à NBC News, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou, “Este é o hemisfério ocidental. É onde nós vivemos. E nós não vamos permitir que o hemisfério ocidental seja uma base de operações para adversários, competidores e rivais dos Estados Unidos”.
O tom reforça a leitura de que a operação contra Maduro procura reduzir pontos de apoio estrangeiro no continente e aumentar a dependência de Caracas em relação a Washington.
Consequências práticas e riscos
Se por um lado a prisão e a pressão externa podem abrir caminho para um realinhamento, por outro, especialistas alertam para riscos de vacância institucional e reação popular.
Fontes consultadas ressaltam que o objetivo declarado pelo governo americano não é necessariamente derrubar o regime de imediato, mas reorganizá-lo de modo que as elites chavistas aceitem novos parâmetros.
Para isso, a administração Trump combina demonstração de força com a oferta implícita de uma saída política, caso as lideranças venezuelanas escolham o realinhamento em vez de resistir, segundo a análise divulgada pela Gazeta do Povo.
Venezuela realinhada aos EUA aparece, assim, como meta estratégica, que tem como instrumento tanto operações militares pontuais como pressão diplomática e econômica, para reduzir a influência de rivais e recuperar espaço político no hemisfério.