Um brinde aos imperfeitos: mensagem de Natal para tempos de polarização e esperança renovada
Sob a luz das festas de fim de ano, mensagens de Natal chegam em diferentes tons, contrastando palavras de apoio e compreensão com julgamentos e acusações. O jornalista Paulo Polzonoff Jr., em sua reflexão, aborda a dualidade dessas interações e o peso das críticas, mas encontra na generosidade de alguns leitores um alento.
Ele descreve a si mesmo como um “escombro de medos e dúvidas amalgamadas por um humor de gosto duvidoso”, carregando o peso de quem busca ver além do preto no branco. Insiste em ir além do esperado, o que, para alguns, gera mais tumulto interior. Apesar da vontade de pedir desculpas, ele se recusa, sussurrando um “Desculpa” que soa contraditório, mas que reflete a complexidade de suas intenções.
Nesta época, o autor retorna à sua infância, lembrando ter descoberto no Natal a crueldade do mundo e a maldade humana. Contudo, anualmente, ele se desfaz dessa memória para renovar sua esperança na caridade e na bondade. Essa postura, ele reconhece, brinca com um novelo de contradições, algo que ele aprecia.
O desafio de reconhecer a humanidade alheia
Ao servir-se de uma bebida imaginária, Polzonoff Jr. reflete sobre as tretas políticas que invadem ambientes familiares e de amizade. Ele conclui que o maior desafio para os próximos anos será o **reconhecimento da humanidade alheia**, valorizando as qualidades para além dos defeitos, e vice-versa. É um chamado urgente para que voltemos a enxergar a dignidade do outro.
“A gente vai ter que voltar a reconhecer a dignidade do interlocutor, por mais que o consideremos um inimigo e assim por ele sejamos considerados”, afirma o autor. Ele ressalta que, para evitar que a vida se torne insuportável, precisaremos focar no que realmente importa: o nosso semelhante. Seja ele um necessitado à beira do caminho ou alguém que retornou para casa após um período de desatino.
O amor como resposta em tempos de agressividade
O jornalista propõe um brinde a Jesus Cristo, cujo nascimento celebramos, e que veio não para os que se consideram perfeitos, mas para todos nós, **especialmente os imperfeitos**. Ele destaca que o amor, a postura inspiradora de Cristo em oferecer amor sem esperar concordância total, é o que o motiva a escrever e a entender a agressividade típica do nosso tempo.
Essa agressividade, segundo ele, não deve ser vista apenas como crueldade ou maldade humana ancestral, mas como um sintoma de **sofrimento inalcançável**. É um pedido de ajuda, um grito de “Me vejam, pelo amor de Deus! Eu existo!”, de pessoas que aprenderam a reagir com agressividade ao se sentirem ameaçadas.
Gratidão e votos de um Natal de paz e amor
Polzonoff Jr. expressa seu mais sincero agradecimento a todos que percebem a leveza em suas criações, pedindo aos demais que, por favor, também o façam. Ele deseja que, neste Natal, a paz possa silenciar o ruído das diferenças, e que a renovação da esperança anuncie um abraço fraterno.
“Não somos iguais, jamais seremos. Mas podemos, sim, conviver e principalmente nos ajudar em meio a isso que parece, só parece, um naufrágio coletivo, mas que na verdade é apenas vida”, conclui. Para ele, o **amor** é a única resposta que faz sentido, inclusive na política, sendo a força que pode renovar as fontes de esperança e compreensão no coração de todos. Um feliz e abençoado Natal a todos.