Santa Sé afirma que a natureza da iniciativa difere de um Estado, e pede esclarecimentos sobre estrutura e participantes do Conselho de Paz antes de qualquer envolvimento
O Vaticano confirmou que não integrará o Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos para implementar um plano de paz na Faixa de Gaza.
O cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, explicou que a recusa se deve à “natureza particular, que claramente não é a mesma que a de outros Estados”, além de apontar “pontos que nos deixam um tanto perplexos” e “pontos críticos que precisam ser esclarecidos”.
O anúncio interrompe a expectativa gerada após a chegada do convite ao papa, e abre espaço para questionamentos sobre a representatividade do fórum e a necessidade de diálogo inclusivo na região, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Explicação do Vaticano sobre a recusa
Ao final de uma reunião na Embaixada da Itália junto à Santa Sé, Pietro Parolin foi questionado sobre a participação no órgão proposto pelo governo americano.
Parolin afirmou que, apesar de considerar “o importante seja que se esteja tentando dar uma resposta”, a Santa Sé entende que “questões que precisam ser resolvidas” ainda permanecem, e por essa razão optou por não participar do Conselho de Paz.
O cardeal ressaltou que a iniciativa tem uma configuração que não se equipara à de Estados convencionais, o que exige uma avaliação diferente por parte da Santa Sé.
Posição do México e observadores
O México anunciou que participará apenas como observador, com seu embaixador nas Nações Unidas presente na reunião inaugural do conselho em Washington.
A presidente Claudia Sheinbaum declarou, citando motivos de inclusão, que “quando se trata especificamente da paz no Oriente Médio, da Palestina, visto que reconhecemos a Palestina como um Estado, a participação de ambos os Estados, Israel e Palestina, é importante. E não é assim que a reunião está estruturada”.
Ela acrescentou, em referência à decisão mexicana, “Fomos convidados a participar como observadores, e, se não fôssemos participar, deveríamos participar como observadores. O ministro das Relações Exteriores e eu decidimos que nosso embaixador nas Nações Unidas atuaria como observador”.
Composição do Conselho e ausências relevantes
O Conselho de Paz reúne ao menos 35 países para supervisionar a implementação do plano de 20 pontos proposto por Donald Trump, com o objetivo declarado de pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas.
Entre os participantes já confirmados estão Israel, Egito, e várias nações do Oriente Médio e da Ásia Ocidental, como Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes. Países da Ásia Central e Sudeste Asiático também foram convidados, incluindo Cazaquistão, Uzbequistão, Mongólia, Camboja, Indonésia e Vietnã.
Da América Latina, Argentina, El Salvador e Paraguai integram a lista. Cinco países europeus aparecem como membros, Albânia, Belarus, Bulgária, Hungria e Kosovo, enquanto França, Espanha e Suécia recusaram o convite. A Itália participará como observadora, segundo relatos sobre a reunião.
Repercussões e próximos passos
A saída do Vaticano destaca uma tensão entre propostas unilaterais e a busca por fóruns multilaterais que considerem a representação de todas as partes envolvidas no conflito, especialmente a inclusão do Estado da Palestina, apontada pelo México.
Com a primeira reunião marcada para quinta-feira em Washington, a presença de países-chave e as ausências de nações europeias apontam para um debate global sobre legitimidade e eficácia da iniciativa, e para a necessidade de esclarecimentos adicionais exigidos por atores como a Santa Sé.
Fontes citadas no despacho incluem declarações públicas do cardeal Pietro Parolin e da presidente Claudia Sheinbaum, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.