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Vendas de motos ultrapassam carros em 2025 com 2,1 milhões de emplacamentos, puxadas por mulheres, jovens e entregadores de apps, dizem Abraciclo e Fenabrave

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Expansão dos aplicativos de entrega, entrada de mulheres e jovens e modelos mais baratos fizeram as vendas de motos crescerem forte e superar as de carros em 2025

A transformação no mercado automotivo brasileiro teve um marco em 2025, com as vendas de motos superando as de carros pela primeira vez, em um movimento que mistura economia, tecnologia e mudança de perfil do consumidor.

O fenômeno está ligado ao aumento do uso de motocicletas para trabalho, à adoção por famílias como segundo veículo e ao crescimento do interesse de mulheres e jovens pela moto, além da produção voltada a modelos de baixa cilindrada.

Os números e as análises a seguir detalham as causas, os efeitos sobre a frota, os custos para quem usa a moto como renda e os impactos em segurança e saúde pública, conforme informação divulgada pelo UOL.

Crescimento e números que mudaram a frota

A venda de motos cresceu 17,1% em 2025. Foram 2,1 milhões de motocicletas comercializadas no ano passado, informa a Abraciclo. Esse total supera as vendas de automóveis, que no mesmo período foram de 1,2 milhão de unidades, segundo a Fenabrave.

As vendas de moto quase dobraram no Brasil em quatro anos. Se em 2025 foram 2,1 milhões de emplacamentos, em 2021 foram 1,1 milhão. O resultado foi uma explosão da frota, com aumento de 22% entre 2021 e 2025, segundo a Abraciclo.

Os modelos de baixa cilindrada lideraram a produção, respondendo por 77% do total fabricado no Brasil no ano passado, aponta a Abraciclo, o que explica a velocidade da renovação e a maior acessibilidade ao veículo.

Quem está comprando, mulheres e jovens

O número de motociclistas mulheres não para de crescer no Brasil. Em março do ano passado, 10 milhões de mulheres tinham habilitação na categoria, aumento de 66% em dez anos (6 milhões em 2016), segundo a Senatran.

O público jovem também avançou, e a motocicleta passa a ser vista como alternativa prática e de custo menor para deslocamentos e trabalho. Marcos Bento, presidente da Abraciclo, aponta a entrada de novos perfis como fator central para o crescimento.

Apps de entrega, trabalho e renda

O boom dos aplicativos foi motor decisivo para as vendas de motos. Em 2012, os serviços de malote e entregas por motocicleta reuniam 55 mil trabalhadores, segundo o Ipea.

Em 2024, o total de entregadores que utilizam motocicletas atingiu 455.621 pessoas, aumento de 18% em comparação com 2022 (385.742), segundo pesquisa da Cebrap. Para 22% dos motociclistas, o veículo é utilizado exclusivamente para o trabalho, segundo a Abraciclo.

Para quem trabalha com entrega, o custo é decisivo. Enquanto o custo médio de manutenção de uma motocicleta é de R$ 763 por mês para quem trabalha 40 horas semanais, esse valor sobe para R$ 2.462 para um motorista de aplicativo com a mesma carga horária mensal, diz a Cebrap.

Mesmo assim, o ganho líquido exige planejamento. Segundo a Cebrap, o ganho médio de um motociclista é de R$ 4.037 se ele trabalhar o mês todo sem ociosidade; com 30% do tempo sem corrida, o valor cai para R$ 2.669. Para motoristas de carro, o salário médio é de R$ 5.058, e de R$ 3.083 para ociosidade de 30%.

O seguro também pesa, sendo mais caro para motociclistas de app, por fatores como perfil do condutor e região. Jaime Soares, presidente da comissão de seguro auto da FenSeg, afirma, “Mas esse percentual varia conforme a experiência estatística de cada seguradora, além de fatores como região de circulação, perfil do condutor, modelo do veículo e histórico de sinistros.” O seguro de um CG 160, uma das mais usadas por entregadores, custa entre R$ 4.300 e R$ 5.300 para esse público, segundo a entidade.

Gilberto Almeida dos Santos (Gil), presidente do Sindimotosp, resume os custos efetivos, “A cada real que o trabalhador ganha, 40 centavos ficam na manutenção da motocicleta, gasto com combustível, com planos de dados, telefone celular e alimentação.”

Riscos, furtos, acidentes e impacto no SUS

O aumento da frota e do uso profissional teve custo em segurança. Sem dados nacionais consolidados, o UOL coletou registros e mostrou que os roubos e furtos de motocicletas no estado de São Paulo cresceram 116% em quatro anos.

Em 2023, 13.477 motociclistas perderam a vida no trânsito em todo o Brasil. Foram 12% mais mortes do que em 2013, quando 12.040 motociclistas morreram em acidentes, segundo os últimos dados do Ministério da Saúde.

Entre 2014 e 2024, 60% dos hospitalizados após acidentes de trânsito eram motociclistas. Mais de 1 milhão de pessoas, segundo a Abramet. Só em 2024, o SUS gastou R$ 257,7 milhões com internações de motociclistas, ainda de acordo com a Abramet.

O rombo fiscal aumentou também porque o SUS deixou de receber os repasses anuais do DPVAT a partir de 2021, o que reduziu uma fonte de cobertura para custos hospitalares decorrentes de acidentes.

Para enfrentar os problemas, autoridades e entidades citam medidas de prevenção e políticas públicas. Marcos Bento, da Abraciclo, destaca que “Iniciativas do poder público, como a criação da Faixa Azul, são exemplos de medidas bem-sucedidas que contribuem para a melhoria da segurança viária.”

O crescimento das vendas de motos em 2025 redesenha o mercado e a mobilidade urbana, mas aponta também desafios de segurança, regulação do trabalho por plataformas e custos sociais que exigem respostas coordenadas do setor privado e do poder público.

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