Venezuela reage com veemência à ordem de Trump para fechar espaço aéreo, chamando-a de “ameaça colonialista”
O governo de Nicolás Maduro classificou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o fechamento do espaço aéreo venezuelano como um ato hostil e uma “ameaça colonialista”. A resposta de Caracas veio através do chanceler Yván Gil Pinto, que utilizou seu canal no Telegram para divulgar o comunicado oficial.
Segundo o governo venezuelano, a medida é “unilateral e arbitrária” e que o país não reconhecerá “ordens, ameaças ou ingerências” por parte dos Estados Unidos. A Venezuela reafirma sua soberania sobre seu espaço aéreo, citando o artigo 1º da Convenção de Chicago de 1944.
A declaração de Trump, feita através da rede social Truth Social, direcionada a companhias aéreas, pilotos e traficantes, alertava para o fechamento completo do espaço aéreo sobre a Venezuela e seus arredores. Essa comunicação ocorre em um contexto de intensificação da atividade militar norte-americana no Caribe.
Pressão política e “desculpa” para intervenção
O chanceler Yván Gil Pinto, em declarações durante uma reunião da Celac, também acusou os Estados Unidos de utilizarem o combate ao narcotráfico como uma “desculpa” para justificar uma possível invasão à Venezuela. Ele argumentou que Washington busca exercer pressão política por meio de medidas consideradas “extravagantes, ilegais e injustificadas”.
A Venezuela também apontou para o aumento da presença militar dos EUA na região, citando o deslocamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado por mais de uma dezena de embarcações, aeronaves de combate e cerca de 12 mil militares para operações contra o narcotráfico. Esta movimentação é vista por Caracas como um sinal de escalada de tensão.
Suspensão de voos de deportação e pedido à ONU
Em seu comunicado, o governo Maduro também mencionou a suspensão dos voos de deportação de migrantes venezuelanos que vinham sendo realizados pelos EUA. De acordo com o governo, cerca de 75 voos ocorreram em 2025, com quase 14 mil deportados.
Por fim, a Venezuela solicitou que a ONU, governos “soberanos” e organismos multilaterais condenem a postura dos Estados Unidos. Caracas descreveu a ação como uma ameaça à paz continental, à soberania da Venezuela e de toda a região do Caribe e norte da América do Sul.
A resposta da Venezuela demonstra um claro posicionamento contra o que considera uma violação de sua soberania e uma tentativa de interferência externa em seus assuntos internos, elevando o nível da tensão diplomática entre os dois países.