No caso que expõe a repressão no país, a libertação de Gabriel Rodríguez, condenado por ‘terrorismo’ e preso desde 9 de janeiro de 2025, reacende o debate sobre prisões políticas na Venezuela
O adolescente estava detido há um ano, após agentes vasculharem seu celular e alegarem ter encontrado imagens críticas ao regime, segundo reportou o site Efecto Cocuyo.
Em julgamento no mês passado, Rodríguez recebeu uma pena de dez anos de prisão por acusações de terrorismo, e sua soltura foi confirmada pela ONG Foro Penal nesta segunda-feira, 26.
Alfredo Romero, diretor da Foro Penal, afirmou que o jovem foi detido “no contexto de protestos relacionados à posse presidencial”, e informou que 266 presos políticos foram libertados desde 8 de janeiro, conforme informação divulgada pela ONG Foro Penal e pelo site Efecto Cocuyo.
Prisões e condenação
Gabriel Rodríguez foi preso em 9 de janeiro de 2025, quando tinha 16 anos, após uma operação em que agentes teriam encontrado no celular do adolescente imagens críticas a Nicolás Maduro.
Em dezembro, a Justiça venezuelana condenou o jovem a dez anos de detenção por acusações de terrorismo, decisão que atraíu críticas de grupos de defesa dos direitos humanos e familiares de presos políticos.
Confirmação e contexto da libertação
O anúncio da soltura foi feito no X por Alfredo Romero, diretor da Foro Penal, que também detalhou o contexto das prisões relacionadas às manifestações pela posse do presidente, reforçando o caráter político das acusações.
A família e apoiadores mantêm vigília em frente ao centro penitenciário Rodeo I, em Zamora, no estado de Miranda, onde outros detidos políticos vinham sendo mantidos.
Números e repercussão
Romero informou ainda que, desde 8 de janeiro, 266 presos políticos foram libertados, e que antes dessas medidas a ONG contabilizava 806 presos políticos na Venezuela.
Analistas apontam que as liberações podem ser parte de um movimento mais amplo, mas ativistas alertam que muitos permanecem detidos e que processos continuam em curso.
O que muda
A saída de Rodríguez traz alívio à família e aos defensores dos direitos civis, mas levanta questionamentos sobre o uso de acusações de terrorismo contra menores e opositores, e sobre a transparência do sistema judicial venezuelano.
Enquanto isso, organizações internacionais e ONGs continuam acompanhando os casos, pedindo garantias para o devido processo legal e a proteção de menores envolvidos em ações políticas.