Investigadores dizem que mensagens e contratos apreendidos indicam atuação antecipada de Vorcaro para organizar ataques digitais ao Banco Central, com pagamentos e cláusulas de confidencialidade
Vorcaro aparece no centro das apurações que tentam esclarecer se houve articulação prévia para defender o Banco Master e criticar o Banco Central nas redes sociais, em meio à crise que levou à liquidação da instituição.
Fontes que acompanham o caso relatam que a Polícia Federal encontrou indícios em dispositivos e documentos apreendidos durante a Operação Compliance Zero, realizada em 17 de novembro, um dia antes da liquidação do Master.
As informações e os dados aqui descritos foram obtidos a partir de matéria e entrevistas, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
O que as mensagens e contratos mostram
Segundo investigadores, conversas no celular de Vorcaro indicariam que ele teria repassado orientações a intermediários fora da estrutura formal do banco, empresas que contratam influenciadores, para impulsionar conteúdos favoráveis ao Banco Master e defender o controlador.
As mensagens sugerem uma atuação coordenada, com foco em descredibilizar críticas e pressionar o Banco Central no ambiente digital, no que os agentes descrevem como uma estratégia para enfrentar a iminente intervenção regulatória.
Contratos analisados pela PF previam pagamentos milionários a influenciadores, com cláusulas de confidencialidade e multas elevadas em caso de descumprimento, reforçando a suspeita de uma ação estruturada e profissionalizada.
Alvos, alcance e evidências digitais
A Polícia Federal apura a atuação de ao menos 40 perfis em redes sociais que publicaram conteúdos críticos ao Banco Central, segundo as fontes consultadas, com linguagem semelhante e questionamentos sobre a rapidez e os critérios da liquidação do Master.
O padrão atribuído às postagens lembra a ofensiva digital observada após a liquidação, quando órgãos e pessoas envolvidas passaram a ser alvos de críticas coordenadas, indicam os investigadores.
A defesa de Vorcaro negou participação na contratação de influenciadores e afirmou ao Supremo Tribunal Federal que ele não teve “nenhum envolvimento ou conhecimento” sobre ações virtuais voltadas a criticar a autoridade monetária.
O celular, a perícia e o novo inquérito
O aparelho de Vorcaro, apreendido em 17 de novembro, tem sistema de segurança robusto, com múltiplas camadas de proteção, o que dificultou o acesso imediato aos dados, segundo a apuração.
Como a senha não foi fornecida, o dispositivo segue em análise pericial especializada, com quebras graduais das barreiras, o que tem permitido acesso parcial ao conteúdo.
Diante das evidências sobre os ataques virtuais, a Polícia Federal instaurou um novo inquérito exclusivo para apurar a coordenação dessas publicações contra autoridades financeiras e o Banco Central.
Andamento processual e próximos passos
A Operação Compliance Zero prendeu Vorcaro quando ele deixava o país, no dia da apreensão de documentos, e, segundo a apuração, a Justiça Federal determinou a soltura em 28 de dezembro e ele passou para o regime de prisão domiciliar no dia seguinte.
Vorcaro prestou depoimento à PF em 30 de dezembro e participou de acareação com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na sequência. A partir de novos depoimentos, a PF pretende ouvir ex-diretores, ex-sócios do Master e integrantes do BRB até o início de fevereiro.
As investigações também tentam elucidar a suposta negociação de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB e a relação entre essas operações e as campanhas digitais, com a expectativa de que as análises dos dispositivos e dos contratos tragam mais elementos sobre a atuação de Vorcaro.
Procurada, a defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as supostas articulações antecipadas, e a Polícia Federal informou que não comenta investigações em curso.