Em conversa com Jordan Klepper, Wagner Moura afirmou que a obra nasceu da perplexidade diante dos fatos entre 2018 e 2022, e fez críticas à anistia e aos ecos da ditadura
Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro por melhor ator em O Agente Secreto, afirmou que o filme só existe por causa do contexto político brasileiro recente.
Em entrevista ao talk show americano The Daily Show, ele relacionou a criação do longa ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e comentou o reconhecimento internacional do trabalho.
As declarações foram dadas durante a conversa com Jordan Klepper, e ajudam a entender a ligação entre arte e política na trajetória do filme, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Contexto e declaração sobre a origem do filme
Na entrevista, Moura disse que o longa surgiu a partir de uma reação coletiva à realidade política no país, com foco no período de 2018 a 2022. Ele afirmou, textualmente, “O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho [diretor do filme] diante do que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022. Este homem, eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século XXI”.
O ator também ironizou premiações, relatando que chegou a dizer que iria “agradecer” a Bolsonaro, pois, em sua visão, sem o governo daquele período o filme “não teria sido realizado”.
Crítica à Lei da Anistia e à impunidade
Moura voltou-se contra a Lei da Anistia de 1979, ao defender que há crimes que não podem ser esquecidos nem perdoados. Segundo ele, o país começa a confrontar sua memória ao responsabilizar, judicialmente, pessoas que atentaram contra a democracia.
Na entrevista, citou que, pela primeira vez, o Brasil está buscando responsabilização, e disse, textualmente, “O Brasil está, finalmente, superando um problema de memória ao mandar para a prisão, pela primeira vez, pessoas que atentaram contra a democracia. O próprio Bolsonaro está na prisão. Bolsonaro jamais teria existido politicamente se não fosse a anistia”.
Repercussão internacional e reflexão sobre democracia
O posicionamento de Wagner Moura reforça o debate sobre o papel da arte na crítica política e sobre como acontecimentos nacionais reverberam em prêmios e festivais internacionais.
Ao vincular a existência do filme ao governo Bolsonaro, o ator coloca em destaque a ideia de que determinadas obras nascem como resposta a crises democráticas, e que esse contexto pode impulsionar tanto a criação quanto a visibilidade internacional de produções brasileiras.