Cortes moderados da Selic e fluxo externo positivo abrem janelas no início do ano, depois eleições e risco fiscal elevam a volatilidade e definem o rumo de 2027
A economia brasileira deve ter dois semestres bem distintos em 2026, com oportunidades no começo do ano e crescente incerteza a partir do segundo semestre.
No primeiro semestre, a combinação de ventos externos favoráveis, expectativa de cortes de juros e retorno de fluxo estrangeiro tende a impulsionar ações e o real.
No segundo semestre, a disputa eleitoral e a pressão sobre as contas públicas devem trazer maior volatilidade, tornando a trajetória econômica do país binária, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Cenário externo e janelas de oportunidade no primeiro semestre
O início de 2026 tem influência forte do cenário global, com crescimento mundial estimado em torno de 3%, e expectativa de cortes do Federal Reserve, fatores que favorecem ativos de risco e emergentes.
O investimento em tecnologia e inteligência artificial é apontado como motor de crescimento, com aporte relevante por empresas americanas, segundo análise do J.P. Morgan Private Bank citada pela Gazeta do Povo.
Para o Brasil, o maior impacto positivo é a perspectiva de queda dos juros nos EUA, que tende a melhorar o apetite por risco, e o real pode se beneficiar do diferencial de juros domésticos.
Política monetária, Selic e limites domésticos
Internamente, a Selic tem sido o principal instrumento de estabilidade. A taxa estava mantida em um patamar restritivo de 15%, com o Banco Central sinalizando cautela para controlar a inflação, segundo a reportagem da Gazeta do Povo.
Com inflação e expectativas recuando, o mercado espera que o BC inicie cortes no primeiro trimestre de 2026, com um ciclo moderado, e que a Selic encerre o ano em nível ainda elevado, próximo de 12,25%, segundo o boletim Focus.
Analistas alertam, porém, que a profundidade dos cortes depende da sinalização fiscal do próximo governo, e que há tensão entre política monetária e fiscal, como lembra a diretora de macroeconomia do UBS Wealth Management citada na matéria.
Risco fiscal, dívida e o que vem no segundo semestre
O risco fiscal é a principal vulnerabilidade, e o endividamento público deve atingir 83,8% do PIB em 2026, partindo de 79,6% em 2025, segundo projeção citada pela Gazeta do Povo, feita por analistas do UBS.
Economistas usam a expressão de que o ano será “binário”, com o primeiro semestre impulsionado por ventos externos e o segundo dominado pela incerteza política e pelo risco de instabilidade, caso não haja um plano fiscal crível para 2027.
A composição da dívida piorou, com maior participação de títulos pós-fixados e prazo médio de apenas quatro anos, cenário que eleva o risco de rolagem e pressiona o custo do serviço da dívida.
Mercados, crédito e recomendações para investidores
Apesar dos riscos, a bolsa aparece como a classe de ativos mais atrativa para o primeiro semestre, apoiada por preços relativamente atraentes e expectativa de crescimento dos lucros, estimado em cerca de 18% segundo consenso citado pela Gazeta do Povo.
Por outro lado, a política de juros restritiva deixou marcas no crédito. A inadimplência segue elevada, e o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu 28,5% em setembro de 2025, segundo dados do Banco Central citados na matéria.
Para investidores, a recomendação é aproveitar oportunidades no primeiro semestre, mantendo proteção contra risco Brasil no segundo semestre, pois a volatilidade cambial e ajustes nas expectativas podem intensificar-se conforme avançarem as eleições.
Em resumo, a economia brasileira 2026 tende a abrir janelas de oportunidade no começo do ano, com cortes moderados da Selic e fluxo estrangeiro favorável, e a fechar sob pressão fiscal e eleitoral no segundo semestre, cenário que determinará se haverá ajuste estrutural ou risco de dominância fiscal em 2027.